A cafeína deixa um rastro muito longo
A meia-vida da cafeína fica entre cinco e seis horas: o café da tarde ainda está lá à meia-noite e encurta o sono, mesmo quando não parece.
O café das duas da tarde ainda pode ser medido à meia-noite.
Durante a vigília, a adenosina se acumula no cérebro. Ela é o registro molecular de há quanto tempo você está de pé, e a pressão do sono é, em grande parte, a sensação desse acúmulo vista de dentro.
A cafeína não elimina nada disso. Ela ocupa os mesmos receptores para que a adenosina não possa ocupá-los, e é por isso que o cansaço continua por baixo o tempo todo e chega de uma vez quando a cafeína vai embora.
A cafeína não dá energia. Ela adia a conta.
O número que vale ter em mente é a meia-vida: cerca de cinco a seis horas na maioria dos adultos, mais em alguns. Duzentos miligramas às duas da tarde deixam cerca de cem às oito da noite e cerca de cinquenta às duas da madrugada. Meio café forte não é pouca coisa.
A parte incômoda é que o efeito aparece nas medições antes de aparecer nas impressões. Já se observou que cafeína tomada seis horas antes de deitar reduz o sono registrado objetivamente, enquanto a avaliação que as próprias pessoas faziam do seu sono continuou a mesma. Não perceber não prova que não haja efeito.
Para ir além
O lugar da cafeína entre os outros hábitos da noite é explicado em duas páginas em inglês: A bedtime routine for adults, que a afasta da hora de dormir junto com o álcool, e Sleep hygiene, também em inglês, que vê quanto vale, sozinha, cada uma das regras conhecidas.